POCUS Terapia Intensiva Cardiológica

Abordagem Guiada por Problemas na Metodologia POCUS

Escrito por Giordano Bruno

Esta publicação também está disponível em: Português

Diferente dos exames convencionais, a ultrassonografia Point-Of-Care (POCUS) utiliza preferencialmente uma abordagem inversa: ao invés de partir de um exame a princípio normal e identificar as anormalidades, a partir de checklist previsto de doenças e/ou condições mais comuns ao cenário que motivou a busca confirmar ou afastar as doenças.

A primeira grande vantagem é que, uma vez que a chance pré-teste de alguma alteração procurada já é alta, o risco de achados acidentais não relacionados é significativamente menor:

"Quem não sabe o que busca não identifica o que acha." Kant

Vantagens:
— Evita procedimentos desnecessários.
— Direciona primeiras medidas e novos exames.
— Dependendo da área, o protocolo possibilita treinamento mais focalizado: o treinamento por exemplo de um pneumologista será mais eficiente em protocolo de insuficiência respiratória, de maneira que com o tempo, sua experiência será a chave dos acertos diagnósticos, não importando que ele não tenha praticado POCUS abdominal por exemplo.

Treinamento em Cenários

Cenários Diagnósticos:
  • Dor Torácica
  • Dispnéia / Insuficiência Respiratória
  • Choque
  • Ausculta Respiratória Abolida
  • Ressucitação Cardiopulmonar (RCP)
  • Outros: Trauma, Dor Abdominal / Abdome Agudo, etc
Cenários de Estratificação / Monitorização / Prognóstico:
  • Choque misto, cardiogênico, séptico, hipovolêmico, etc
  • Tromboembolismo Pulmonar Agudo
  • Síndrome coronariana aguda
  • Insuficiência cardíaca descompensada
  • Pleuro/Pneumopatias
  • Auxílio em dispositivos de assistência mecânica ou respiratória
Vamos por exemplo mostrar qual seria a sequência básica de análise em um cenário com paciente dispnéico:
1 ) Realização do FATE com POCUS

O FATE (de Focus Assessed Transthoracic Echo) é uma metodologia dentro do curso básico de POCUS que utiliza 4 visualizações do coração em que se compara a imagem com as de uma cartela de patologias e a partir daí indicar a suspeita de alterações. Além disso é feito um Scanning pleuro-pulmonar a procura de anormalidades que justifiquem a dispnéia.

A metodologia FATE foi publicada em 2004 (Transthoracic echocardiography for cardiopulmonary monitoring in intensive care, Case Reports Eur J Anaesthesiol) estando inclusive o aplicativo disponível para IOS/Android.

Parte da cartela do FATE com visualização esquemática das alterações.

 

Durante o Scanning Pleuro-Pulmonar podem ser encontrados derrames, atelectasias, consolidações superficiais além de outros sinais como o SINAL DA CAUDA DE COMETA, muito visto nos processos congestivos pulmonares (Linhas B)

2) Realização do Eco-Hemodinâmico com POCUS

Metodologia aprendida no POCUS avançado, consiste em uma sequência de medidas bidimensionais e ao Doppler para calcular as variáveis hemodinâmicas cardíacas e que por sua vez estão alteradas na insuficiência cardíaca, doença valvular, embolia pulmonar e outras causas de hipertensão pulmonar.
As variáveis obtidas são: pressão de veia cava inferior, pressão de artéria pulmonar, pressão capilar pulmonar e débito cardíaco.

Planilha usada no curso POCUS para cálculo automático do eco-hemodinâmico:

 

 

 

 

 

 

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Sobre o autor

Giordano Bruno

Médico Cardiologista e Ecocardiografista formado pela UFPE
Supervisor da residência em cardiologia do Hospital Agamenon Magalhães - SES/PE
Coordenador dos protocolos da cardiologia do Realcor / Real Hospital Português/PE

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