Hemodinâmica Insuficiência Mitral Valvopatias

Seguimento de longo prazo do COAPT confirma benefício do MitraClip

Escrito por Humberto Graner

Esta publicação também está disponível em: Português

Os resultados de 5 anos do estudo COAPT mostraram que o reparo transcateter da insuficiência mitral secundária grave é seguro e reduz a taxa de hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortes por todas as causas.

Relembre o que foi o estudo COAPT

Este ensaio clínico incluiu 614 pacientes (média de idade 72 anos, 36% mulheres), randomizados para tratamento percutâneo com MitraClip + tratamento medicamentoso (grupo intervenção) versus apenas tratamento clínico (grupo controle). Os participantes possuíam disfunção do VE e IC sintomática, apesar do tratamento otimizado na época.

Os resultados do seguimento original de 2 anos mostraram uma redução no desfecho primário (hospitalizações por IC) de 47% a favor do grupo intervenção (35,8% vs. 67,9%, respectivamente). O desfecho primário de segurança (ausência de complicações relacionadas ao dispositivo) em 12 meses foi de 96,6% para o MitraClip (p<0,001). Além disso, no grupo intervenção, a mortalidade por todas as causas reduziu 38% (29,1% vs. 46,1%, respectivamente)

E estes resultados mudaram após 5 anos de seguimento?

Ao todo, 87% dos pacientes completaram o seguimento de cinco anos. O grupo intervenção manteve taxas menores de internação (61% vs. 83%, HR 0,49, IC 95% 0,40-0,61). A incidência anual de hospitalização por IC foi de 33,1% ao ano para o MitraClip, e 57,2% ao ano para o grupo controle. A maioria dos eventos ocorreu nos primeiros 36 meses de acompanhamento. A taxa de morte por todas as causas foi atenuada em relação à análise pivotal, mas continuou significativa, com redução de 28% (57,3% vs. 67,2%, HR 0,72, IC 95% 0,58-0,89).

Interessantemente, após os primeiros 2 anos de seguimento, o cruzamento entre os grupos era permitido, e 44% dos pacientes do grupo controle receberam o dispositivo nos anos seguintes. Melhora significativa também foi observada nas avaliações de qualidade de vida ao longo dos 5 anos. O perfil de segurança com o dispositivo também foi satisfatório.

Muda alguma coisa após estes resultados de longo prazo?

“O MitraClip fez uma diferença profunda para pacientes com [HF] e RM grave. Com base nesses achados, os pacientes apropriados devem ser tratados com MitraClip o mais cedo possível”, disse Stone. “No entanto, quase três em cada quatro pacientes ainda morreram ou foram hospitalizados por [IC] dentro de cinco anos, mesmo após o MitraClip bem-sucedido, porque o tratamento da válvula mitral regurgitante não melhora a disfunção subjacente [LV]”, disse Stone. “Precisamos desenvolver melhores terapias para [HF] avançada se o prognóstico dessa população de pacientes de alto risco for melhorado.”

 

Referência

Stone GW, Abraham WT, Lindenfeld J, et al., on behalf of the COAPT Investigators. Five-Year Follow-up After Transcatheter Repair of Secondary Mitral Regurgitation. N Engl J Med 2023;Mar 5:[Epub ahead of print].

 

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Sobre o autor

Humberto Graner

Co-Editor do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Medicina Intensiva
Professor das Faculdades de Medicina da UFG e UniEvangélica (Goiás)
Doutor em Ciências pelo InCor-HCFMUSP
Fellowship em Coronariopatias Agudas pelo InCor-HCFMUSP
Coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Goiânia (GO)
Pesquisador da ARO (Academic Research Organization) - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo (SP)

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