Coronariopatía Prevenção

Escore de cálcio coronário e Risco de Morte Cardíaca Súbita

Escrito por Elaine Coutinho

Esta publicação também está disponível em: Português

A morte súbita cardíaca (MSC) é caracterizada como uma morte inesperada dentro de 1 hora após uma mudança no estado clínico entre pessoas com ou sem doença cardiovascular aterosclerótica (DACV) preexistente. A doença cardíaca coronária (DAC) secundária à aterosclerose é responsável por até 80% de todos os eventos de MSC e menos de 15% dos casos ocorrem entre indivíduos com arritmia ou insuficiência cardíaca (IC). Hoje, a previsão de MSC permanece indefinida e é mais discutida em um contexto de prevenção secundária. Mas será que a existe relação entre risco de morte súbita e escore de cálcio coronário?

O escore de cálcio da artéria coronária (CAC) é o marcador mais comumente utilizado para aterosclerose coronária subclínica e é medido de forma não invasiva na tomografia computadorizada sem contraste (TC) pelo método de Agatston.  Especialmente indicada para adultos com idade maior de 40 anos como ferramenta para auxiliar na estratificação de risco e, consequentemente, no início e manutenção das terapias hipolipemiantes em prevenção primária. Embora o papel da pontuação CAC esteja aumentando para a estratificação de risco de DACV e a previsão de mortalidade por todas as causas, a relação entre escore de cálcio e morte súbita permanece desconhecida. (Mais detalhes, cheque este nosso vídeo: https://d3gjbiomfzjjxw.cloudfront.net/dicas-praticas-sobre-escore-calcio/)

Métodos: O CAC Consortium é um estudo de coorte multicêntrico que incluiu 4 centros de alto volume nos Estados Unidos. Os pesquisadores incluíram indivíduos >18 anos de idade sem antecedente pessoal de DACV. Foram incluídos 66.636 participantes do CAC Consortium entre 1991-2010 que realizaram CAC devido à presença de fatores de risco de DACV subjacentes.  As causas básicas de óbito foram categorizadas a partir do CID.

Resultados:  Ocorreram 211 óbitos por MSC em um seguimento médio de 10,6 anos, e um total de 91% de todos os eventos de MSC ocorreram em pacientes com CAC >0. Houve diferença entre os grupos:

Em relação a indivíduos de CAC 0: pessoas com CAC 1 a 399 foram 2,8 vezes mais propensas a sofrer MSC  enquanto CAC 400 a 999 e CAC > 1.000 conferem risco 4 e 4,9 vezes maior para MSC (HR: 4,9; IC 95%: 2,6-9,2), respectivamente.

Assim, houve um aumento gradual nas taxas de eventos de MSC com o aumento da pontuação CAC. Entre pessoas com risco baixo a intermediário de DACV de 10 anos, as categorias de pontuação CAC de 100 a 1.000 conferem independentemente um risco aproximadamente 5 vezes maior de MSC em comparação com CAC 0, e a adição de CAC melhorou a previsão de MSC incidente quando adicionado aos fatores de risco tradicionais, independente inclusive de sexo.  Fica a discussão a respeito de associar CAC à fração de ejeção como melhor preditor de MSC do que qualquer um sozinho nos indivíduos com CAC > 400 e especialmente CAC > 1.000. Além disso, também valem futuras avaliações a respeito da validade do  uso adicional de outros testes, como ecocardiograma, teste ergométrico ou angiotomografia coronariana como estratégia de prevenção primária para avaliação do risco de MSC nestes grupos de maior risco.

Embora de magnitude muito baixa, um total de 19 eventos de MSC (0,06%) ocorreu entre pessoas com CAC 0, sendo possivelmente relacionados à presença de doença cardíaca estrutural não diagnosticada, dissecção ou espasmo coronariano, além de causas arritmogênicas primárias.

 

Conclusão: Apesar dos avanços significativos no manejo da DAC subclínica em pacientes de prevenção primária, a predição de MSC permanece indefinida. É importante lembrar que trata-se de estudo de coorte e, portanto, gerador de hipóteses e associações.  Aqui, em uma grande amostra de pacientes assintomáticos submetidos a CAC para estratificação de risco em prevenção primária, observamos um aumento gradual na taxa de eventos de MSC ao longo do aumento da carga de cálcio coronariano, de modo que indivíduos de meia-idade com pontuações de CAC de 100 a 399, 400 a 999 e >1.000 tiveram um risco de 2,8 a 4,9 vezes maior para MSC em comparação com aqueles com CAC 0, independentemente dos fatores de risco tradicionais.  Avalia-se ainda se informações adicionais, como fração de ejeção, podem melhorar ainda mais a predição para os indivíduos de maior risco.

 

REFERÊNCIA

 

Fonte: Razavi A, Uddin S, Dardari Z, et al. Coronary Artery Calcium for Risk Stratification of Sudden Cardiac Death. J Am Coll Cardiol Img. 2022 Jul, 15 (7) 1259–1270. https://doi.org/10.1016/j.jcmg.2022.02.011

 

 

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Elaine Coutinho

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