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Reparo transcateter para tratar insuficiência tricúspide grave

Escrito por Humberto Graner

Esta publicação também está disponível em: Português

O reparo transcateter ponta-a-ponta (TEER) da valva tricúspide foi seguro para pacientes com regurgitação tricúspide grave, reduziu a gravidade da regurgitação tricúspide, e melhorou a qualidade de vida, de acordo com os resultados do estudo TRILUMINATE Pivotal.

O que é TEER?

O TEER é uma opção de tratamento não cirúrgico, minimamente invasivo e de baixo risco para pacientes sintomáticos com regurgitação tricúspide grave que possuem risco alto para cirurgia. O dispositivo avaliado neste estudo foi o TriClip™ desenvolvida pela Abbot.

O que foi o estudo TRILUMINATE?

O estudo incluiu 350 pacientes com regurgitação tricúspide grave sintomática em 65 centros nos EUA, Canadá e Europa e os randomizou para serem tratados com TEER (n=175) ou apenas tratamento clínico isolado (n=175). Pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo < 20% e hipertensão pulmonar grave foram excluídos. A idade média foi de 75 anos e 55% eram mulheres. O desfecho primário foi um composto hierárquico que incluiu morte por qualquer causa ou cirurgia da válvula tricúspide, hospitalização por insuficiência cardíaca e uma melhora na qualidade de vida medida com o Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire (KCCQ).

Quais os principais resultados do estudo?

O desfecho primário foi favorável ao grupo TEER na análise de win ratio (WR = 1,48; IC95% 1,06 – 2,13; p=0,02). No entanto, a incidência de morte, a necessidade de cirurgia da valva tricúspide, ou a taxa de hospitalização por insuficiência cardíaca não foram diferentes entre os grupos.

O escore de qualidade de vida do KCCQ mudou em média 12,3±1,8 pontos no grupo TEER, em comparação com 0,6±1,8 pontos no grupo controle (P<0,001). Ao final de 30 dias, 87% dos pacientes submetidos ao procedimento estavam livres de insuficiência tricúspide grave, contra apenas 4,8% do grupo controle.  apresentavam regurgitação tricúspide de gravidade não superior a moderada (P<0,001).

O TEER foi considerado seguro: 98,3% dos pacientes submetidos ao procedimento não apresentaram eventos adversos maiores em 30 dias. Os pacientes inscritos neste estudo serão acompanhados por 5 anos.

Qual a mensagem principal do estudo?

Indiscutivelmente, a melhora se deu por conta de melhora na qualidade de vida. E este desfecho deve ser analisado com cautela, pois há dois aspectos:

  • Para uma doença que é muito sintomática, esse é um benefício significativo. Sobretudo quando associada a um procedimento seguro, com baixa taxa de complicações.
  • Por outro lado, qualidade de vida é um desfecho considerado fraco em um estudo não randomizado no qual os pacientes podem se sentir melhor apenas por terem a confiança de que foram submetido a uma intervenção invasiva.

De qualquer forma, é um avanço para uma condição clínica de difícil controle e que muitas vezes a intervenção cirúrgica não oferece resultados promissores.

 

Referência

Sorajja P, Whisenant B, Hamid N, et al., em nome dos Investigadores do TRILUMINATE. Transcatheter Repair for Tricuspid Regurgitation. N Engl J Med 2023;Mar 4:[Epub antes da impressão] .

 

 

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Sobre o autor

Humberto Graner

Co-Editor do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Medicina Intensiva
Professor das Faculdades de Medicina da UFG e UniEvangélica (Goiás)
Doutor em Ciências pelo InCor-HCFMUSP
Fellowship em Coronariopatias Agudas pelo InCor-HCFMUSP
Coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Goiânia (GO)
Pesquisador da ARO (Academic Research Organization) - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo (SP)

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