Prevenção

Uso de estatinas para a prevenção primária de doenças cardiovasculares em adultos

Escrito por Elaine Coutinho

Esta publicação também está disponível em: Português

A realização de prevenção primária e controle dos fatores de risco podem impactar diretamente na redução de eventos cardiovasculares. Esta é a principal causa de morbidade e morte no EUA, sendo responsável por uma em cada 4 mortes. Mas será que devemos usar estatinas para a prevenção primária de doença cardiovascular? Recentemente, em agosto de 2022, a US Preventive Services Task Force publicou as seguintes recomendações em sua atualização para pacientes com menos de 40 anos e sem histórico de doença cardiovascular (DCV) prévia:

 

  • A USPSTF recomenda uso de estatina em prevenção de DCV para adultos de 40 a 75 anos que têm 1 ou mais fatores de risco de DCV (ou seja, dislipidemia, diabetes, hipertensão ou tabagismo) e um risco estimado de 10 anos de DCV de 10% ou mais. (Recomendação B)

 

  • A USPSTF também recomenda o uso de estatina para a prevenção primária de DCV para adultos de 40 a 75 anos que tenham 1 ou mais desses fatores de risco de DCV e um risco estimado de DCV em 10 anos de 7,5% a 10%, com menor benefício (Recomendação C). A decisão de iniciar a terapia deve depender da preferência individual do paciente para um pequeno benefício potencial em relação aos possíveis danos e inconveniências de tomar uma medicação diária.

 

  • O USPSTF conclui que não há evidência suficiente para o benefício versus risco de iniciar uma estatina para a prevenção primária de DCV em indivíduos com 76 anos ou mais.

 

A calculadora do ACC/AHA é, até o momento, a única ferramenta de previsão de risco cardiovascular baseada nos EUA com estudos de validação externa. Ela leva em consideração para pontuação além da ocorrência de eventos prévios, sexo, etnia, níveis de colesterol, nível de pressão arterial sistólica, tratamento anti-hipertensivo, presença de diabetes, tabagismo e especialmente a idade como fator agravante.

Ressalta-se que estas recomendações não se aplicam a adultos com um nível de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) superior a 190mg/dL ou hipercolesterolemia familiar conhecida. Nestes dois tipos de pacientes,  ainda devemos usar estatinas para a prevenção primária de doença cardiovascular.  (A mesma USPSTF se posicionou sobre aspirina na prevenção primária. Quer saber mais? Cheque este nosso resumo: https://d3gjbiomfzjjxw.cloudfront.net/finalmente-devo-ou-nao-usar-aspirina-na-prevencao-primaria/)

 

Impressão: Essas recomendações são semelhantes às de 2016. Ao utilizarmos a calculadora de de risco cardiovascular em 10 anos do American College of Cardiology/American Heart Association conforme preconizado, em alguns grupos o risco de eventos acaba super ou subestimado já que por exemplo, não se considera o risco em vários subgrupos como níveis de lipoproteína (a), história familiar e presença de doenças inflamatórias crônicas. Assim, vale a pena continuar individualizando o risco durante a decisão de tratamento medicamentoso.

 

REFERÊNCIA

US Preventive Services Task Force, Mangione CM, Barry MJ, Nicholson WK, Cabana M, Chelmow D, Coker TR, Davis EM, Donahue KE, Jaén CR, Kubik M, Li L, Ogedegbe G, Pbert L, Ruiz JM, Stevermer J, Wong JB. Statin Use for the Primary Prevention of Cardiovascular Disease in Adults: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2022 Aug 23;328(8):746-753.  https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2795521

 

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Elaine Coutinho

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