Hipertensão arterial sistêmica

Você ainda vai ouvir falar muito em baxdrostat

Escrito por Humberto Graner

Esta publicação também está disponível em: Português

Quer saber o que é baxdrostat? Este é um inibidor da aldosterona sintase (enzima CYP11B2) que tem demonstrado resultados muito promissores em pacientes com hipertensão arterial resistente.

Cerca de 20% dos pacientes com hipertensão possuem hipertensão arterial resistente. Esta é definida como a presença de medidas da PA sustentadas >130/80 mmHg, apesar do uso de um diurético, um bloqueador do sistema renina-angiotensia, e um bloqueador dos canais de cálcio. A avaliação inicial desses indivíduos deve descartar hipertensão pseudorresistente com o uso de medidas de pressão arterial fora do consultório, não adesão a medicamentos anti-hipertensivos e hipertensão secundária. Para aqueles que mantém níveis elevados da PA a despeito do tratamento otimizado, trazer esses valores para as metas é desafiador.

(relembre conceitos importantes de hipertensão arterial resistente aqui e também neste importante post)

É sabido que essa resistência geralmente está associada à secreção inapropriada e excessiva de aldosterona. Baxdrostat diminui os níveis de aldosterona inibindo sua síntese. Ele inibe seletivamente a enzima CYP11B2 (também conhecida como aldosterona sintase) que catalisa as etapas finais da síntese de aldosterona. Essa seletividade é importante porque a enzima CYP11B2 tem 93% de similaridade de sequência com a CYP11B1 (também conhecida como 11β-hidroxilase), a enzima final na via de síntese do cortisol. Esse alto grau de similaridade já levou à reatividade cruzada e à supressão da síntese de cortisol pelos inibidores anteriores da aldosterona sintase, tornando-os inapropriados como anti-hipertensivos.

O baxdrostat também age diferentemente dos conhecidos antagonistas dos receptores mineralocorticoides, como a espironolactona, que apenas bloqueiam a ativação do receptor de aldosterona. Infelizmente, a espironolactona tem efeitos colaterais antiandrogênicos e pró progesterona, que induzem ginecomastia e limitam seu uso, sobretudo em homens.

Ume estudo publicado recentemente no NEJM mostrou resultados muito promissores com o baxdrostat em pacientes com hipertensão arterial resistente. Trata-se de um estudo de fase 2 no qual os indivíduos foram randomizados para receberem placebo ou baxdrostat em 3 diferentes doses: 0,5 mg, 1 mg ou 2 mg. Houve redução significativa na PA sistólica em −8,1 mmHg e −11 mmHg, nas doses de 1 e 2 mg, respectivamente, quando comparado com placebo. Não houve diferença significativa com a menor dose de 0,5mg. Os níveis séricos de potássio aumentaram em muitos poucos pacientes, e não foi observado efeitos significativos nos níveis séricos de cortisol.

Os resultados desse estudo são promissores e abrem novas perspectivas para o tratamento de pacientes com hipertensão arterial resistente, bem como para o tratamento daqueles com hiperaldosteronismo primário. No entanto, são necessários estudos maiores e com seguimento por maior período de tempo, que incluam monitorização ambulatorial da pressão arterial de 24 horas, por exemplo, bem como avaliações dos perfis de esteroides a longo prazo. Além disso, do ponto de vista metodológico, ideal seria incluir um grupo controle ativo com antagonista do receptor. mineralocorticoide.

Independentemente, já há esperanças de que o baxdrostat possa vir a ser para a hipertensão resistente o que os inibidores de PCSK9 significaram para o controle lipídico, por exemplo.

Referências

Azizi M. Decreasing the Effects of Aldosterone in Resistant Hypertension — A Success Story. N Engl J Med. 2023;388(5):461-463. 

Freeman MW, Halvorsen YD, Marshall W, et al. Phase 2 Trial of Baxdrostat for Treatment-Resistant Hypertension. N Engl J Med. 2023;388(5):395-405. 

Leopold JA, Ingelfinger JR. Aldosterone and Treatment-Resistant Hypertension. N Engl J Med. 2023;388(5):464-467. 

 

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Sobre o autor

Humberto Graner

Co-Editor do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Medicina Intensiva
Professor das Faculdades de Medicina da UFG e UniEvangélica (Goiás)
Doutor em Ciências pelo InCor-HCFMUSP
Fellowship em Coronariopatias Agudas pelo InCor-HCFMUSP
Coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Goiânia (GO)
Pesquisador da ARO (Academic Research Organization) - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo (SP)

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